sábado, 13 de outubro de 2012

Classe Média Portuguesa

Encetemos a abordagem da matéria em análise relatando de forma sucinta o aparecimento da classe média em Portugal. Relativamente a outros países ocidentais, Portugal peca por uma edificação tardia da sua classe média, isto devido a atrasos na industrialização e na implementação do seu regime democrático. Esta “nova classe” na sociedade portuguesa, que em 2010 representava cerca de metade da população, ergue-se através de um processo célere e muito pouco sólido, maioritariamente devido à expansão do Estado Social, no decorrer da década de 80, que transmitiu uma ideia de entusiasmo direccionado para o consumo.
                Com a actual conjuntura económica portuguesa, há um risco iminente de um empobrecimento muito rápido e consequentemente, como se tem feito notar nos últimos tempos, um aumento em grande escala do descontentamento social. Neste momento, os portugueses ganham menos, pagam mais impostos e o custo de vida não para de aumentar. Todos apertam os cordões à bolsa, desde viagens, à compra de casa própria e até na alimentação.
                Os hábitos da classe média estão a mudar. Isto deve-se principalmente à crise actual, crise essa que se tem acentuado no nosso país, e principalmente nas nossas carteiras, com sucessivos cortes salariais na função pública e aumento de impostos de forma generalizada. Um estudo do Observatório Cetelem 2012 afirma que, relativamente às classes médias de outros países, Portugal apresenta-se mais conservador no que concerne ao consumo. Isto diz-nos que os portugueses estão cientes da situação económica corrente e actualmente desviam mais dinheiro da despesa para a poupança. O estudo diz que 55% da população que pertence à classe média tem intenções de poupar mais este ano do que no ano anterior. A explicação é simples: Portugal encontra-se no foco da crise desde o final do 1.º trimestre de 2011, tendo sido especialmente afectado pela mesma no decorrer do ano de 2008, a par de países como a Grécia e a Espanha.
                Dos portugueses de classe média, 70% assegura que a sua situação piorou no último ano e cerca de metade afirma que teve de proceder a cortes no orçamento familiar no que concerne a vestuário, lazer e combustíveis. Em menor quantidade, mas ainda assim de forma considerável, cerca de um terço confidenciou cortar em despesas de alimentação, 15% fazer cortes na saúde e 8% na educação. Faz-se notar um movimento por parte dos portugueses que formam esta classe que nos leva a crer que a única forma de sobreviver à crise será cortar na despesa, pois estes não esperam aumentos nos seus rendimentos, bem pelo contrário. Um aspecto também abordado sobre esta classe da população foi o futuro dos seus filhos. Uma das grandes inquietações destas pessoas passa por tentar proporcionar uma boa qualidade de vida e a possibilidade dos seus filhos poderem frequentar o ensino superior. Cerca de 80% está disposto a fazer sacrifícios pessoais para não diminuírem a despesa com os seus filhos.
                Concluímos assim que estamos perante um iminente empobrecimento nacional, ou seja, cerca 3,5 milhões de famílias portuguesas vivem à beira do “precipício” social. O mais aterrador é que é deles que depende a economia.

Eugénio Carlos Oliveira Castro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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